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Microbiota do cabelo e do couro cabeludo

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A pele é um complexo ecossistema vivo que abriga diversas comunidades microbianas. Suas propriedades altamente variáveis e a influência de fatores intrínsecos e extrínsecos criam microambientes únicos nos quais micróbios específicos se desenvolvem.

Como parte da pele, o cabelo suporta seu próprio habitat microbiano, que também é variável intra e interpessoal. Este substrato pouco explorado tem um potencial significativo na pesquisa de microbiomas forenses devido às assinaturas únicas disponíveis em um indivíduo. Existem diferenças entre as comunidades microbianas identificadas em hastes capilares originárias de diferentes partes do corpo. A microbiota capilar varia por origem geográfica e tem potencial para ser usada para prever a localização da fonte do cabelo.

Vários estudos de microbiota do couro cabeludo de diferentes populações revelaram a associação da caspa à disbiose bacteriana e fúngica. No entanto, o papel funcional da microbiota do couro cabeludo em distúrbios do couro cabeludo e da saúde permanece pouco explorado. A diversidade bacteriana e fúngica do microbioma do couro cabeludo e seu papel funcional potencial no couro cabeludo saudável e na caspa já foram estudados. Propionibacterium acnes e Staphylococcus epidermidis emergiram como as principais espécies bacterianas, sendo que o primeiro foi associado a um couro cabeludo saudável e o segundo, com o couro cabeludo da caspa. Juntamente com as espécies de Malassezia (M. restrita e M. globosa) que ocorrem com frequência no couro cabeludo, observou-se uma associação surpreendentemente alta de caspa com espécies de Malassezia ainda não caracterizadas. A análise funcional mostrou que o microbioma fúngico foi enriquecido em vias implicadas majoritariamente na adesão célula-hospedeiro no couro cabeludo da caspa, enquanto o microbioma bacteriano mostrou um enriquecimento conspícuo de vias relacionadas a síntese e metabolismo de aminoácidos, biotina e outras vitaminas B, que são relatados como nutrientes essenciais para o crescimento do cabelo. Num estudo indiano, foi realizada uma mensuração sistemática dos parâmetros clínicos e fisiológicos do couro cabeludo, que mostrou correlações significativas com o microbioma e suas vias funcionais associadas. Os resultados apontam para um novo papel potencial dos comensais bacterianos na manutenção da homeostase dos nutrientes do couro cabeludo e destaca um importante, ainda que desconhecido, papel do microbioma do couro cabeludo, similar ao do microbioma intestinal. Este estudo, portanto, fornece novas perspectivas sobre a melhor compreensão da fisiopatologia da caspa.

Um avanço aparentemente sensacional, que nos permitirá escolher se usaremos cabelos encaracolados ou lisos, foi recentemente relatado na respeitada revista Natural Science.

O que sabemos hoje sobre o tipo de cabelo é que ele é determinado pela forma do folículo piloso. Acredita-se que os folículos pilosos produzem cabelos lisos, enquanto folículos curvos produzem fios de cabelo em gancho, que originam cabelos encaracolados. O que temos agora é uma nova teoria, segundo a qual outros elementos estariam envolvidos nesta questão, conectando linhas de conhecimento aparentemente não relacionadas.

A primeira é que, por razões anteriormente desconhecidas, a tendência ao curling dos cabelos, conhecida no mercado como HCT, pode mudar drasticamente com a idade, medicações etc. A segunda é um estudo do microbioma do microambiente do folículo piloso, que revelou que certos tipos de bactérias, chamadas enterobactérias (EB), estão presentes em quantidades diferentes em pessoas com cabelos encaracolados e com cabelos lisos. Isto sugeriu que o EB pode desempenhar um papel na determinação do HCT.

Acontece que o EB identificado poderia produzir fímbrias curli 2 – estas são projeções de superfície sobre as bactérias, um pouco como o cabelo em nossos corpos, que têm a propriedade de fazer o cabelo enrolar.

Uma grande pesquisa subsequente confirmou que pessoas com cabelos cacheados têm uma contagem maior de EBs em torno de seus folículos pilosos.

Num estudo feito nos Estados Unidos, foram retiradas amostras de microbioma capilar de cabeças não lavadas de um grupo de cabelos encaracolados e o mesmo de um grupo de cabelos lisos. Uma leve lavagem capilar foi realizada para remover um pouco do microbioma do cabelo e, em seguida, esfregou-se imediatamente as amostras – chamadas de transplantes de microbioma capilar – nos escalpos dos participantes. Foram analisadas as alterações no cabelo ocorridas ao longo de um período de 6 semanas.

O resultado surpreendente foi que, em 73% dos casos, o cabelo liso ficou encaracolado se recebeu um “transplante cacheado”, e o cabelo crespo ficou liso se recebeu um “transplante liso”! O teste em si foi bem-sucedido por demonstrar que mesmo doses mais baixas são efetivas na mudança do HCT.

Este é um novo campo de pesquisa que se abre para os interessados, com múltiplas possibilidades de criação de novos produtos que poderão resolver, de vez e com pouco trabalho, a insatisfação quase que endógena que as pessoas têm com o seu tipo de cabelo natural.

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